Saturday, September 03, 2011
há coisas que são mais coisas que outras coisas que o tentam ser.
coisas que são mais coisas que outras coisas que o tentam ser. há
que são mais coisas que outras coisas que o tentam ser. há coisas
são mais coisas que outras coisas que o tentam ser. há coisas que
mais coisas que outras coisas que o tentam ser. há coisas que são
coisas que outras coisas que o tentam ser. há coisas que são mais
que outras coisas que o tentam ser. há coisas que são mais coisas
outras coisas que o tentam ser. há coisas que são mais coisas que
coisas que o tentam ser. há coisas que são mais coisas que outras
que o tentam ser. há coisas que são mais coisas que outras coisas
o tentam ser. há coisas que são mais coisas que outras coisas que
tentam ser. há coisas que são mais coisas que outras coisas que o
ser.
Thursday, June 16, 2011
é mentira. dizes que as árvores não são poisos para ti. não são sombras para ninguém. não são certezas de nada.
foste tu quem mo disse. e sentada aos seus pés, digo, raízes, dormiste descansada.
não percebo tamanha incoerência.
riste-te, como quem goza afinal. não percebo nada
dessa tua indecência.
foste tu quem mo disse. e sentada aos seus pés, digo, raízes, dormiste descansada.
não percebo tamanha incoerência.
riste-te, como quem goza afinal. não percebo nada
dessa tua indecência.
Sunday, June 12, 2011
repara como é bonito o tecto.
repara como são escuras as sombras
no tecto. reparo em ti a reparar e
pergunto-me, qual o sonho que vês
no tecto. se o mesmo sonho que eu
vejo em ti, tu o vês, no tecto, acaba por
não ser tecto, mas sim chão, o nosso.
mas e então o nosso tecto?
repara como são escuras as sombras
no tecto. reparo em ti a reparar e
pergunto-me, qual o sonho que vês
no tecto. se o mesmo sonho que eu
vejo em ti, tu o vês, no tecto, acaba por
não ser tecto, mas sim chão, o nosso.
mas e então o nosso tecto?
Saturday, June 11, 2011
hoje sou eu quem fica à espera
sou eu quem fica à espera hoje
eu quem fica à espera hoje sou
quem fica à espera hoje sou eu
fica à espera hoje sou eu quem
à espera hoje sou eu quem fica
espera hoje sou eu quem fica à
espera.
sou eu quem fica à espera hoje
eu quem fica à espera hoje sou
quem fica à espera hoje sou eu
fica à espera hoje sou eu quem
à espera hoje sou eu quem fica
espera hoje sou eu quem fica à
espera.
Tuesday, August 10, 2010
guardei-te no bolso, mais uma vez. o papel que te embrulhou é prata, alumínio se quiseres, e cheira a ti, que te lá enroscaste, aninhaste, se quiseres. ainda o tenho na mão porque ainda não quero admitir que te deixei ir. trago-te sempre comigo, no bolso, e cinco minutos apenas bastam para te lembrar no peito, onde dói, quando não estás. a saudade de te ter tido no meu abraço. e são então horas de te lembrar, no bolso furado que te largou, que não se deixa coser, que não deixa apagar o facto de teres de ir, quando vais, quando eu te deixo ir, se quiseres. são facas que se espetam, paus que me batem, correntes que me prendem, saudade, se quiseres.
Saturday, August 07, 2010
sou como tu és quando somos os dois
assim sendo, somos sempre assim,
um e o outro, um é o outro, um os dois
e depois, sem que haja razão aparente
somos nós os outros que, como nós
vão sendo assim só um, vão
ser assim os dois como sempre foram,
mas sem serem estranhos,
mas sem serem diferentes,
sem que façam barulho sobre a diferença
que não há, que não pode haver, que não
é. nada, não é, não há. isto porque
são eles, somos nós, sou eu e és tu,
somos todos o mesmo.
somos todos o mesmo,
somos todos, amor!
assim sendo, somos sempre assim,
um e o outro, um é o outro, um os dois
e depois, sem que haja razão aparente
somos nós os outros que, como nós
vão sendo assim só um, vão
ser assim os dois como sempre foram,
mas sem serem estranhos,
mas sem serem diferentes,
sem que façam barulho sobre a diferença
que não há, que não pode haver, que não
é. nada, não é, não há. isto porque
são eles, somos nós, sou eu e és tu,
somos todos o mesmo.
somos todos o mesmo,
somos todos, amor!
não são agora nem nunca foram
se algum dia o atrevimento deixar
mas não serão não, que não deixo
eu deixo e deixo ser, sem deixar que
sejam eles, que nunca o serão
porque eu não deixo.
se algum dia o atrevimento deixar
mas não serão não, que não deixo
eu deixo e deixo ser, sem deixar que
sejam eles, que nunca o serão
porque eu não deixo.
Thursday, July 15, 2010
Quem acorda na corda de uma guitarra?
Já consigo concorda e não concorda.
Já o tocador agarra e não agarra.
A mão que na guitarra se recorda.
A mão que se faz águia e se desgarra
Na corda que recorda quando acorda
A garra que há por dentro da guitarra.
Já consigo concorda e não concorda.
Já o tocador carrega e não consegue
Parar dentro de si a própria corda
Já a mão a si mesma se persegue
E se desgarra em garra e águia solta
Quando súbito acorda e se recorda
Que da última nota ninguém volta.
Já consigo concorda e não concorda.
Já o tocador agarra e não agarra.
A mão que na guitarra se recorda.
A mão que se faz águia e se desgarra
Na corda que recorda quando acorda
A garra que há por dentro da guitarra.
Já consigo concorda e não concorda.
Já o tocador carrega e não consegue
Parar dentro de si a própria corda
Já a mão a si mesma se persegue
E se desgarra em garra e águia solta
Quando súbito acorda e se recorda
Que da última nota ninguém volta.
M. Alegre (para Artur Paredes)

